Bem Vindo

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O encontro com Deus e com os outros irmãos não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças: o convite é para hoje!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Quem não sofre com o irmão sofredor, mesmo se diferente dele por religião, língua ou cultura, deve interrogar-se sobre a própria humanidade.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Devia ter passado mais tempo contigo. Mas estive ocupado demais, tentando resolver os problemas do mundo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Quanto mais enraizados estamos em Cristo, maior serenidade interior encontramos, incluindo no meio das contrariedades quotidianas.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Arrependimento

Marcas do verdadeiro arrependimento
Marcas do falso arrependimento

O verdadeiro arrependimento liberta-nos da preocupação connosco próprios, porque a nossa confiança está na bondade de Deus, que trabalha em nós. é na luz que vemos a nossa escuridão.
O falso arrependimento afoga-nos nas nossas preocupações. Deleitamo-nos com o que consideramos ser a nossa própria virtude, mas irritamo-nos com os nossos próprios vícios; recusamo-nos a reconhecê-los e projectamo-los nos outros.

O verdadeiro arrependimento causa-nos alegria e dá-nos a liberdade interior.
O falso arrependimento aumenta a nossa ansiedade e torna-nos mais defensivos.

O verdadeiro arrependimento aceita críticas e aprende com elas.
O falso arrependimento é muito sensível às críticas e nada aprende com elas.

O verdadeiro arrependimento dá-nos compreensão, tolerância e esperança.
O falso arrependimento gera rigidez de mente e de coração, o dogmatismo, a intolerância e uma atitude condenatória.

O verdadeiro arrependimento é compassivo, e por isso, agudamente sensível a todas as formas de injustiça.
O falso arrependimento é sensível à justiça só enquanto promove os interesses do indivíduo ou do seu grupo, e por isso é selectivo nas condenações morais.

O verdadeiro arrependimento partilha a alegria de Deus e liberta o espírito para ver o humor em todas as situações.
O falso arrependimento tende a tornar-se sisudo e nunca consegue rir-se de si próprio.

No verdadeiro arrependimento a pessoa sente-se impelida para Deus.
No falso arrependimento a pessoa sente-se forçada por Deus.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Mensagem para Quaresma de 2018

"... edificar a sua casa sobre a rocha..." (cf. Mt 7,24)

1. Vamos iniciar o caminho que nos conduz à celebração anual da Páscoa, memória sacramental e perene da Páscoa em que o Senhor Jesus se ofereceu para redenção do mundo. A verdade da nossa vida cristã e a autenticidade do nosso testemunho dependem do modo como preparamos e celebramos esta “festa das festas”, já que ela ilumina e dá sentido a cada um dos dias do ano litúrgico e tem em cada Domingo a sua celebração semanal.
A Quaresma surge, por isso mesmo, cada ano como um tempo propício para acolhermos, com um coração mais disponível, os apelos da Palavra Deus e nos dispormos a progredir, de modo mais intenso, na conversão pessoal; um tempo que culmina com o reacender da luz batismal e o consequente empenho em “iluminar” as situações mais escuras da nossa vida e de vida do mundo. Acolher na própria vida, Cristo vivo e ressuscitado, ou deixar-se acolher por Ele, é o melhor que nos pode acontecer. E anunciá-lO e testemunhá-l’O é, por isso mesmo, a nossa alegria e a nossa felicidade (cf. EG 1-3).
2. Inspirámos o nosso Programa pastoral para este ano, com o convite a construir a sua casa sobre a rocha (cf. Mt 7,24); convite acolhido como condição para, alicerçados em Cristo, rocha imprescindível na construção da vida cristã e de todas as formas de vida na Igreja, anunciarmos o evangelho da família. Indicámos como eixo à volta do qual se deve processar a nossa ação pastoral, uma “ação missionária capaz de transformar tudo”, verdadeiro “paradigma de toda a obra da Igreja”, e a decisão de enveredar por um caminho de conversão pastoral e missionária, “que não pode deixar as coisas como estão” (cf. EG 15.25.27) .

3. Considero oportuno incluir esta proposta pastoral no caminho quaresmal que nos preparamos para iniciar, como revisão de vida pessoal, familiar e das próprias comunidades paroquiais. Estou certo de que a vivência quaresmal adquiriria um ritmo mais eficaz e mais fecundo se incluísse opções concretas assumidas pelas comunidades cristãs e, inclusive, pelas próprias famílias.
Sabemos como “o amor vivido nas famílias é uma força permanente para a vida da Igreja e, simultaneamente, apelo constante a crescer e a aprofundar este amor. Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Neste amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida. (...) A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos, são apenas alguns dos frutos que tornam única e insubstituível a resposta à vocação da família, tanto para a Igreja como para a sociedade inteira” (AL 88).
De que modo, cada membro da família, pode contribuir para o cultivo, a maturação e a partilha destes frutos? De que modo cada comunidade cristã está a apoiar as famílias, e cada um dos seus membros, na realização da sua vocação e missão? De que modo cada comunidade está aberta e decidida a acolher, acompanhar, discernir e integrar a fragilidade das famílias? Como é cultivado o espírito de compreensão e de acolhimento, e cada comunidade se torna instrumento da misericórdia que é “imerecida, incondicional e gratuita” (AL 297)?

4. Não podemos permitir que “o amor arrefeça”, alerta-nos o Papa Francisco na sua mensagem quaresmal, inclusive o amor vivido nas famílias e partilhado nas comunidades cristãs. Todos os dias nos confrontamos com inúmeros sinais indicadores de que ele pode arrefecer e mesmo vir a apagar-se.
A oração, a esmola e o jejum, indicados pela liturgia logo no primeiro dia da quaresma, constituem sempre meios oportunos, para uma conversão pessoal, de procura do essencial, de purificação e fortalecimento do amor e de maior adequação da vida ao Evangelho.

A partilha fraterna, fruto da “renúncia quaresmal”, une-nos anualmente como expressão solidária com os mais necessitados. A comunidade do Vicariato da Pedra Mourinha manifesta a todos o seu reconhecimento, pela partilha da quantia recolhida em 2017 (€ 18.093,54) a qual, unida a outros apoios diocesanos, lhes permitiu avançar um pouco mais na concretização do seu sonho: a construção de um complexo pastoral, do qual faz parte a igreja paroquial.
Este ano convido-vos a igual partilha com a comunidade do Rogil (Aljezur). Há muito que esta comunidade está empenhada em possuir um espaço próprio que responda às suas necessidades mais elementares, ao nível da catequese e do aprofundamento da fé, da celebração do culto, do acolhimento pessoal e da promoção da caridade. Exorto, igualmente, todas as Paróquias, particularmente as que possuem melhores condições económicas, à partilha fraterna com esta comunidade, como expressão de comunhão eclesial.

5. Confiemos a Maria, o nosso caminho quaresmal, certos de que ela nos guiará pela estrada segura que conduz ao encontro de Cristo Vivo e Ressuscitado, rocha e fundamento da Igreja e de cada família.
A todos asseguro a minha oração para que a nível pessoal, familiar e eclesial, percorramos unidos este caminho de conversão quaresmal, daí resultando uma Igreja diocesana mais fraterna e mais missionária.
Desejo a todos uma frutuosa Quaresma e uma santa Páscoa!

Faro, 12 de fevereiro de 2018

Manuel Neto Quintas
Bispo do Algarve 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018

«Porque se multiplicará a iniquidade,
vai resfriar o amor de muitos» (
Mt 24, 12)

Amados irmãos e irmãs!
Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão»,[1] que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.
Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12).
Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenómenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Os falsos profetas
Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?
Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!
Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demónio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.

Um coração frio
Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo;[2] habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?
O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1 Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n'Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos.[3] Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.
A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.
E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.[4]

Que fazer?
Se porventura detetamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.
Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos,[5] para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.
A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?[6]
Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.
Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente connosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!

O fogo da Páscoa
Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.
Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.
Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito»,[7] para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.
Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.

Vaticano, 1 de Novembro de 2017
Solenidade de Todos os Santos
Francisco

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Mensagem de Sua Santidade Francisco para o XXVI Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro de 2018)

 Mater Ecclesiae: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!”
E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua»
(Jo 19, 26-27)

Queridos irmãos e irmãs!
O serviço da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar, com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (cf. Lc 9, 2-6, Mt 10, 1-8; Mc 6, 7-13) e seguindo o exemplo muito eloquente do seu Fundador e Mestre.
Este ano, o tema do Dia do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).

1. Estas palavras do Senhor iluminam profundamente o mistério da Cruz. Esta não representa uma tragédia sem esperança, mas o lugar onde Jesus mostra a sua glória e deixa amorosamente as suas últimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade cristã e da vida de cada discípulo.
Em primeiro lugar, as palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. Será, de uma forma particular, a mãe dos discípulos do seu Filho e cuidará deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspetos materiais como os espirituais da sua educação.
O sofrimento indescritível da cruz trespassa a alma de Maria (cf. Lc 2, 35), mas não a paralisa. Pelo contrário, lá começa para Ela um novo caminho de doação, como Mãe do Senhor. Na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria é chamada a partilhar esta mesma preocupação. Os Atos dos Apóstolos, ao descrever a grande efusão do Espírito Santo no Pentecostes, mostram-nos que Maria começou a desempenhar a sua tarefa na primeira comunidade da Igreja. Uma tarefa que não mais terá fim.

2. O discípulo João, o amado, representa a Igreja, povo messiânico. Ele deve reconhecer Maria como sua própria mãe. E, neste reconhecimento, é chamado a recebê-La, contemplar n’Ela o modelo do discipulado e também a vocação materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupações e os projetos que isso implica: a Mãe que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a vocação materna de Maria, a vocação de cuidar dos seus filhos, passa para João e toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos fica envolvida na vocação materna de Maria.

3. João, como discípulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer conduzir todos os homens ao encontro do Pai. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (cf. Jo 8, 31-39), e doentes no corpo (cf. Jo 5, 6). A todos, concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas. Como Maria, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros; mas não só: eles sabem que o Coração de Jesus está aberto a todos, sem exclusão. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus.

4. Esta vocação materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes concretizou-se, ao longo da sua história bimilenária, numa série riquíssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta história de dedicação não deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Nos países onde existem sistemas de saúde pública suficientes, o trabalho das congregações católicas, das dioceses e dos seus hospitais, além de fornecer cuidados médicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terapêutico e desenvolve a pesquisa científica no respeito da vida e dos valores morais cristãos. Nos países onde os sistemas de saúde são insuficientes ou inexistentes, a Igreja esforça-se por oferecer às pessoas o máximo possível de cuidados da saúde, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado, ela procura cuidar, mesmo quando não é capaz de curar. A imagem da Igreja como «hospital de campo», acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população.

5. A memória da longa história de serviço aos doentes é motivo de alegria para a comunidade cristã e, de modo particular, para aqueles que atualmente desempenham esse serviço. Mas é preciso olhar o passado sobretudo para com ele nos enriquecermos. Dele devemos aprender: a generosidade até ao sacrifício total de muitos fundadores de institutos ao serviço dos enfermos; a criatividade, sugerida pela caridade, de muitas iniciativas empreendidas ao longo dos séculos; o empenho na pesquisa científica, para oferecer aos doentes cuidados inovadores e fiáveis. Esta herança do passado ajuda a projetar bem o futuro. Por exemplo, a preservar os hospitais católicos do risco duma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres. Ao contrário, a inteligência organizativa e a caridade exigem que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento. Estas orientações devem ser assumidas também pelos cristãos que trabalham nas estruturas públicas, onde são chamados a dar, através do seu serviço, bom testemunho do Evangelho.

6. Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar: «Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: (...) hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc 16, 17.18). Nos Atos dos Apóstolos, lemos a descrição das curas realizadas por Pedro (cf. At 3, 4-8) e por Paulo (cf. At 14, 8-11). Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor. A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas. Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um.

7. A Maria, Mãe da ternura, queremos confiar todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. A Ela pedimos também que nos ajude a ser acolhedores para com os irmãos enfermos. A Igreja sabe que precisa duma graça especial para conseguir fazer frente ao seu serviço evangélico de cuidar dos doentes. Por isso, unamo-nos todos numa súplica insistente elevada à Mãe do Senhor, para que cada membro da Igreja viva com amor a vocação ao serviço da vida e da saúde. A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunhão com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas. A todos, doentes, agentes de saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 26 de novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – de 2017.
Franciscus

sábado, 10 de fevereiro de 2018